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agosto 21, 2008
Um raio de sol.
Afinal, mesmo sem o querermos, todos temos uma estrela na vida. Um estrela que aquece e brilha para nós durante tanto tempo do nosso caminhar...
Ando há anos nisto.
Tenho dias que quase desisto, outros chego até a não me suportar com esta obsessão.
Só quem tem objectivos bem definidos na vida é que poderá, de alguma maneira, perceber o que é isto de se ter uma obsessão e lutar por ela.
Desde que me lembro que quero agarrar um raio de sol.
Quero tê-lo na minha e sentir aquele calorzinho único.
Claro que estamos a falar de um raio de sol daqueles matutinos que entram pelas frinchas das janelas ou das portas e alegram-te por segundos.
Reconfortam-te por breves segundos porque tens a consciência, nesses poucos segundos, que a vida corre normalmente e que o sol se levantou de novo para mais um dia.
Sim, eu tenho pavor só de pensar que um dia me levantarei e o sol não.
Não quero estar lá.
Por isso, e por ter tido este pensamento muito cedo, quando muito tinha 6 anos, que desde então tenho lutado na minha vida por ter um raio de sol na minha mão.
Sim, daqueles dos primeiros segundos da manhã, onde apenas se escuta os pássaros e as flores sorriem.
Fiquei ainda mais determinado nesta minha odisseia quando vi um filme chamado "Ladyhawke" de 1985, realizado por um senhor chamado Richard Donner.
Esta é uma história tão bela quanto assustadora, inventada e escrita por um tal Edward Khmara, um simples mortal que se calhar deve ter a mesma obsessão que eu.
Inventou este senhor um feitiço, já que a história se passa na idade média, feito por um bispo a uma bela mulher quando esta fugiu dos seus intentos de se casar com ela.
A bela dama estava apaixonada por um destemido guerreiro, também ele belo.
Esse feitiço ditava que de dia essa bela mulher se transformava num falcão possuído por esse belo guerreiro e que, de noite, ele se transformava em lobo possuído por essa bela mulher.
O único momento em que se podiam tocar e ver, como homem e mulher, era precisamente nos primeiros raios de sol quando a lua deixava o seu palco.
Único.
Chorei baba e ranho pelo infortúnio daqueles dois.
Se calhar, no fundo chorei por mim, pelo meu infortúnio de nunca ter tido, até hoje, um pequeno raio de sol nas minhas mãos.
Não me canso e não desisto.
Já estive mais perto e mais longe.
E todos os dias são dias passíveis de alguma coisa boa me acontecer e ter, nem que seja por breves segundos, o calor de um raio de sol acabado de nascer para um novo dia.
Publicado por Miklos Kazantakis às agosto 21, 2008 02:16 PM
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Comentários
Haverá quem se lembre de ter ouvido no momento em que nasceu alguém dizer-lhe “ Bem-vindo a mais um magnífico conto de fadas”? Ou então: “Bem-vindo ao mundo, cumpre o teu fado”?
Fadas, fados?
Na melhor das hipóteses terá ouvido uma mistura das frases anteriores juntamente com uma qualquer combinação, umas vezes mais interessantes do que outras, das letras das palavras em questão. Aliás o grito primordial do recém-nascido, no que diz respeito a este assunto, deve ter algum significado. Adiante!
“ O Voo da Águia
A águia é a ave que possui a maior longevidade da sua espécie chegando a viver setenta anos. Mas para chegar a essa idade, por volta dos 40 anos ela tem que tomar uma decisão muito séria e difícil. Nessa idade as suas unhas tornam-se compridas e flexíveis e deixa assim de conseguir agarrar as presas das quais se alimenta. O bico, outrora alongado e pontiagudo, está agora encurvado. Encurvadas também contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas devido à grossura das penas. Voar torna-se cada vez mais difícil. Nesse momento a águia só tem duas alternativas: morrer… ou enfrentar um doloroso processo de regeneração que irá durar cerca de cinquenta dias. Ela terá que voar para o alto de uma montanha e recolher-se num ninho perto de uma rocha, de onde não seja forçada a sair. Após encontrar esse lugar a águia começa a bater repetida e dolorosamente com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo! Depois de o extrair, espera pelo nascimento de um novo bico como o qual inicia nova e dolorosa regeneração arrancando agora as suas unhas. Depois, quando as novas unhas começam a nascer, ela puxa e arranca uma a uma, as suas velhas penas. Então um dia, passados cinco meses desse lento e difícil processo de mudança a águia renascida lança-se no seu famoso voo de renovação, que abre as portas a uma nova etapa de mais trinta anos de vida”
Publicado por: Niklas às agosto 22, 2008 07:33 PM